A CORRIDA NO CÉREBRO
Treinando a mente
Esportes de longa duração, como a corrida, são os que mais exigem um bom preparo psicológico. Além de obrigarem o atleta a se manter por muito tempo em contato com o cansaço, eles envolvem a pressão da superação de marcas. “Quanto mais longa a prova, mais importante é a resistência mental. Se um maratonista começar a pensar no desconforto e no desgaste, vai perder a prova”, diz Lauter.
Existem várias maneiras de preparar a mente para esses momentos de tudo ou nada. Carlos Eduardo Lefèvre, ultramaratonista, corredor de aventura e especializado em psicologia do esporte, fez uma espécie de “aclimatação mental” antes de enfrentar 220km pelas areias da Jordânia na Desert Cup. “Treinei no calor, na subida, com distrações externas. Mas só senti que estava preparado depois de correr 70km na USP, durante sete horas, num treino de sete voltas de 10km que não me trouxe nenhum ganho fisiológico, mas me permitiu conviver com o limite, a monotonia, o desespero”, conta. Cadu correu 33 horas ininterruptas para terminar a Desert Cup.
O treinamento de Sérgio Cordeiro para o Ultraman do Havaí, em 1998, envolvia imaginar, todas as noites, que ele tinha que arrumar forças extras quando faltavam 4km para o fim. No dia da prova, aconteceu igualzinho: a 3,5km, Sérgio passou dois corredores, abriu dois minutos e meio de vantagem e ganhou a prova. As técnicas psicológicas mais aplicadas por corredores são visualização, mentalização, dissociação, autosugestão, meditação e yoga.
As técnicas
1 Visualização
:: O que é: ensaiar mentalmente a habilidade física e a estratégia. Prepara para as situações que você pode encontrar na prova ou treino. Ela funciona porque o cérebro não distingue a situação imaginada da vivida, ou seja, o cérebro tem as mesmas reações neurais nos dois casos. Conseqüentemente, quando vivemos algo parecido com o que tinha sido imaginado, nossas reações são mais rápidas e precisas.
:: Como fazer: Para ter bons resultados, a visualização deve ser feita com a maior riqueza de detalhes possível. Imagine a temperatura, o contato do seu pé no solo, a presença dos outros corredores ao seu redor, o cheiro do parque, as sensações de cansaço que você pode ter em determinados momentos. Tente ver o movimento em primeira pessoa e em terceira pessoa. Crie perspectivas diferentes. Pense na técnica e no ritmo de corrida a cada quilômetro. Esta técnica por ser aplicada também durante o treino, combinando a imagem mental com o movimento real. “Eu corria em São Paulo imaginando a areia da Jordânia sob meus pés e o sol de 45oC em minha cabeça”, exemplifica Lefèvre. As sessões de visualização devem ter no máximo oito minutos e ser feitas até três vezes por dia. Becker sugere fazer ao acordar, antes do treino e antes de dormir.
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