As pesquisas comprovam
Num dos inúmeros estudos sobre a importância da preparação mental no rendimento esportivo, cientistas da Wayne State University e da University of North Carolina mediram o impacto da auto-atenção e da ansiedade na economia de corrida de 18 fundistas bem treinados. Os corredores mais econômicos (que gastavam menos oxigênio por quilo de peso corporal por minuto numa velocidade padrão) eram os que tinham mais facilidade para se concentrar em si mesmos. Uma das explicações dos cientistas: atletas que voltam sua atenção para si reconhecem melhor a tensão muscular e podem eliminá-la através de técnicas de relaxamento ou mudanças na técnica de corrida. Então concentre-se: assim como limiares, freqüências e músculos, seu cérebro e suas emoções também podem ser treinados.
A central de controle
“O cérebro é o manda-chuva”, resume Edilberto dos Santos Barros, preparador físico da Presidência da República e um dos técnicos da Associação Brasiliense dos Corredores. “A corrida é uma soma do trabalho de órgãos e músculos, mas é o sistema nervoso que norteia tudo”, completa. Além de comandar as contrações musculares, o cérebro regula a produção dos neurotransmissores, substâncias que são liberadas nas ligações entre os neurônios e que promovem as sensações de bem-estar, euforia e fadiga num treino ou competição.
Nos exercícios físicos, gastamos nossos estoques de ATP (moléculas que são quebradas para liberar energia) e de glicogênio muscular, produzimos calor, perdemos líquidos e produzimos ácido lático. Se os estoques de glicogênio e de ATP acabam, se nos desidratamos, nos superaquecemos ou se os músculos chegam ao seu limite de condicionamento, o cérebro manda a mensagem de que o corpo está cansado para que paremos o exercício.
“Com o desgaste, o cérebro aumenta a produção de alguns neurotransmissores, como a serotonina (relacionada à letargia e ao cansaço) e a dopamina (relacionada à atividade motora), enquanto diminui a de endorfina (relacionada ao prazer e ao bem-estar)”, explica Hannah Karen, mestra em psicobiologia, especializada em ciências do exercício e em neuropsicologia.
A conseqüência é apatia, letargia, cansaço e pensamentos negativos, que parecem conspirar para que abandonemos o esforço estressante a que estamos submetendo nosso corpo. “Existe uma faixa de fadiga do corpo bastante ampla. A partir do momento em que entra na faixa, o atleta tende a desistir. Quanto maior seu preparo psicológico, mais perto do extremo da fadiga ele consegue chegar”, explica Hiran Valdez, doutor em ciências psicológicas, especialista em psicologia do esporte e professor titular de Psicologia do Treinamento Esportivo na Universidade de Brasília.
É nesse momento - quando o cérebro, num mecanismo de defesa, tenta fazer você parar - que sua mente pode ajudá-lo a continuar. “Se o atleta tiver preparo psicológico, pode reverter à situação e vencer a vontade de diminuir o ritmo”, completa Hannah. “Com o pensamento adequado ele consegue melhorar os níveis de endorfina e baixar um pouco os de serotonina”, diz. Conseqüentemente, a corrida volta a ser mais prazerosa e o corpo se sente menos cansado.
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