Por:
Tatyana Moral Dall'Agnol - Nutricionista, Especialista em Saúde, Nutrição e
Alimentação pela Escola Paulista de Medicina, Coordenadora do Curso de
Aperfeiçoamento em Nutrição Esportiva do CEMAFE/Cel(011)
3324-7922.
"Hoje em dia felizmente, a maioria dos maratonistas
tem consciência da necessidade de se ingerir algum tipo de carboidrato
durante as provas. Mas acho importante lembrar o papel dos carboidratos como
fonte de energia para realização de alguma prática esportiva de longa
duração."
Fonte de Energia
O principal papel dos carboidratos
é proporcionar combustível energético para o corpo, sendo a glicose e o
glicogênio (única forma de carboidrato estocável no corpo), as fontes
energéticas utilizadas para a realização de um trabalho muscular. Daí a
importância da ingestão sistemática, em quantidades apropriadas de
carboidratos para manter as reservas de glicogênio corporal. A depleção
destes combustíveis (glicogênio e glicose sanguínea), impossibilita o
músculo de atingir seus requerimentos de energia e sustentar a contração
para o desempenho do trabalho. E apesar de proteínas e gorduras contribuírem
para o "pool" energético utilizado durante a atividade muscular, tais
combustíveis sozinhos não suportam as demamdas do exercício intenso. Já
calculou-se que durante a competição, mesmo entre maratonistas bem
treinados, parecem ter menos de 1% do total de gorduras e proteínas
oxidados, enquanto a depleção total de glicogênio pode ocorrer no fígado e
músculos durante a atividade.
Como já levantado
anteriormente, o glicogênio muscular sozinho não é capaz de prover todo o
carboidrato necessário para o exercício de longa duração. Portanto, a
glicose também contribui com certa quantidade de energia durante exercício
de resistência. Este processo ocorre porque o glicogênio do fígado é
quebrado, liberado na corrente sanguínea e distribuído para os músculos,
proporcionando assim, suprimento de glicose. No momento que a oferta de
glicose diminui, seja por meio do fornecimento hepático ou pela
impossibilidade de se continuar transformando proteínas e gorduras em
glicose, o corpo produz grande quantidade de ácido lático, expondo assim o
atleta a fadiga e hipoglecemia.
Desta maneira,
torna-se evidente que a ingestão de carboidratos durante a competição irá
reduzir a velocidade de quebra de glicogênio muscular para a produção de
energia, reduzir a quebra de proteína e retardar a fadiga, melhorando o
desempenho.
Suplementação
de carboidratos durante a Competição
Maratonistas que participam de eventos de longa duração
(período mínimo de 90 minutos) devem ingerir suplementos de carboidratos
durante a prova.
Como os vários carboidratos variam
em relação aos seu esvaziamento gástrico e características de absorção,
seguem algumas considerações importantes a serem observadas nos rótulos ou
na manipulação dos produtos a serem consumidos.
Glicose
O principal efeito da
ingestão de bebidas de glicose durante a atividade prolongada, parece ser
uma manutenção da glicose sanguínea nos estágios finais. Juntamente com seu
aumento, ocorre uma maior oxidação de carboidratos e, assim, melhora do
desempenho. Entretanto, o que acho importante ressaltar é que a manutenção
da glicose sanguínea meramente adia, mais do que previne, a fadiga. Esta
ocorre mesmo que a glicose sanguínea possa estar dentro dos limites
normais.
Polímeros de Glicose
Estes apresentam a vantagem de
aumentar a composição de carboidratos na solução sem causar efeitos
indesejados no esvaziamento gástrico. A ingestão de polímeros de glicose
durante o exercício de intensidade moderada, prolongados mantém a glicose
sanguínea durante a prova. Assim, a oxidação de carboidratos é mantida num
nível mais alto e o resultado é o aumento do desempemho. Um polímero de
glicose muito utilizado em soluções de carboidratos é a maltodextrina.
Frutose
A inclusão de frutose em uma solução de nutrientes,
previne as respostas glicêmicas associadas com a ingestão de glicose. Por
esta razão, a sua inclusão tem sido proposta como uma forma de minimizar as
alterações induzidas pela glicose na glicose sanguínea que ocorrem nos
estágios iniciais da atividade. Como ocorre com a glicose e com polímeros de
glicose, a ingestão de frutose pode melhorar o desempenho de atividades de
intensidade moderada, prolongados. Vale lembrar que a concentração de
frutose deve estar adequada (4% a 8%) para evitar desconforto gástrico.
Fontes
Mistas de Carboidratos
As bebidas nutrientes
que contém uma mistura de carboidratos podem oferecer vantagens sobre
soluções contendo um único carboidrato. Essas soluções podem capitalizar
sobre as desvantagens incorridas no esvaziamento gástrico ao mesmo tempo que
minimizam as desvantagens desse desconforto gástrico. Como com bebidas com
um único carboidrato, as soluções com carboidratos mistos mantêm a glicose
sanguínea durante exercícios (provas) prolongados.
Tipo, quantidade e
tempo de ingestão de carboidratos durante a competição.
Parecem ser relativamente pequenas as diferenças dos
efeitos entre glicose, sacarose, maltodextrina (moléculas de glicose unidas
entre si em cadeias) e frutose no metabolismo e desempenho quando estas são
ingeridas durante a prova. Mas cabe aqui lembrar que soluções contendo altas
concentrações de sacarose e frutose podem levar a estados de desidratação e
gerar desconforto gástrico respectivamente.
Constatações recentes, traduzidas nas composições dos
principais líquidos de reposição disponíveis no mercado , demonstram que uma
mistura de glicose, frutose e maltodextrina tem sido a opção mais empregada,
principalmente, pelas diferentes velocidades de absorção e metabolização
(Coleman,1996).
Portanto, em atividades de longa duração (período superior a 90
minutos), com média intensidade de trabalho entre 75 a 80% do consumo máximo
de oxigênio, devem ser ingeridas soluções de carboidratos numa concentração
até 10% (preferencialmente polímeros de glicose). Os fluídos devem ser
oferecidos em volumes de 150 a 200ml, com intervalos de 20 a 30 minutos.
Entretanto, os efeitos benéficos da ingestão de carboidratos parecem ser
mais evidentes durante os estágios finais de provas de longa duração ,
quando as reservas de carboidrato endógenas encontra-se depletadas. A partir
de uma perspectiva prática diante das dificuldades de mensuração dos níveis
de reservas de carboidratos e seus prováveis sinais de fadiga pelo atleta, a
suplementação de carboidratos deve ocorrer precocemente (20 minutos antes do
início da prova - volumes de 150 a 200ml).
Obviamente, deve-se levar em consideração a importância
de um acompanhamento individualizado, a fim de se determinar a quantidade de
solução ótima para cada atleta, uma vez que existem maneiras distintas de
necessidades e gasto energético, bem como de absorção dos produtos pelo
organismo. Cabem também cuidados referentes ao sabor (aceitação), custo e
oferta do produto escolhido no mercado
nacional.
A forma de ingestão do carboidrato
não exerce maior influência , visto que suplementos líquidos e sólidos
trazem respostas metabólicas similares. Alguns autores, sugerem, que
carboidratos em forma de gel, possuem a vantagem de serem absorvidos mais
rapidamente, resultando em melhor performance. Tais suplementos requerem a
ingestão de água, pois o consumo sem a mesma pode desencadear um
desidratação.
O quadro a seguir fornece uma base de como um maratonista deve consumir
carboidratos em forma de gel durante uma prova:
|